Sobre crônicas e felicidade: Livro Viver não Dói

A melhor parte de ter parceria com editoras é ter acesso a livros que, normalmente, você não escolheria para ler, mas que acabam se revelando belas surpresas. Foi exatamente isso que senti ao terminar de ler Viver não dói, da Leila Ferreira, que a Globo Livros me enviou para fazer resenha. 

Logo de início o título me atraiu e quis ler assim que tive chances, pois adoro crônicas, ainda mais quando se tratam de temas tão sublimes quanto a felicidade e outros bichos. Amei a forma como o livro foi dividido em sub-temas, com cada crônica sendo agrupada em um capítulo temático. Assim, eu pude escolher a ordem em que queria ler cada uma, sem ter que necessariamente adotar uma leitura linear.


Como eu já esperava, minha parte do livro favorita foi mesmo a que fala sobre felicidade. Parece óbvio, mas as pessoas (eu inclusa) tendem a achar que a felicidade é um nirvana a ser perseguido por toda a vida. Pare para pensar em quantas vezes você escutou um conhecido comentando que só será feliz após conseguir aquela promoção tão almejada no emprego, ou após quitar seu apartamento, ou mesmo após se casar e ter filhos. 

Esta idealização e romantização da felicidade contribui para que ela seja, paradoxalmente, cada vez mais inalcançável, o que acaba gerando muita frustração. A autora nos propõe, em crônicas leves e despretensiosas, parar de deixar para ser muito feliz amanhã e focar em ser feliz, na medida, hoje. Aproveitar os pequenos momentos antes que eles virem apenas recordações, extrair a felicidade das coisas mais bobas. Concordo demais com este ponto, tanto é que em 2013 adotei o hábito de todos os dias escrever na agenda algo de bom que tenha me acontecido. Surpreendentemente funciona.



Viver não dói é o tipo de livro que eu tenho vontade de ler com o caderninho na mão, anotando todas as passagens com as quais eu me identifico. Tanto que fotografei alguns trechos de que gostei, na falta de lápis e papel à mão. :) Achei incrível como Leila Ferreira conseguiu traduzir em poucas páginas muitos dos meus pensamentos. 

Só não curti muito a parte sobre viagens, porque não tenho mesmo o costume nem o gosto de ler sobre o assunto. Acabei achando as crônicas deste capítulo meio enfadonhas. Opinião pessoal minha, é claro. Como eu disse, a mágica deste livro é poder ser lido de trás para frente, fora de ordem, com a maior liberdade possível, inclusive pulando algumas crônicas aqui e acolá, para depois voltar a elas em um momento mais propício. 

Fiz um vídeo curtinho sintetizando um pouco da minha opinião sobre o livro, e sugiro assisti-lo caso você tenha se interessado.


Definitivamente Leila Ferreira me provou mais uma vez algo que sempre repito quando falo sobre algum livro de crônicas ou não-ficção: nem sempre o livro mais envolvente é aquele com ação o tempo todo, narrativa eletrizante e personagens com características tão incríveis que chegam a ser inverossímeis. A simplicidade pode ser muito, muito bela. 



E você, também gosta deste estilo de leitura?

Disclaimer: Este livro foi enviado pela editora para resenha. Tudo o que foi exposto neste artigo é baseado em minha opinião sincera e não recebo nenhum tipo de compensação para escrever o post.

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